Linfangiectasia intestinal secundária à doença inflamatória intestinal em cão: relato de caso
Palavras-chave:
doença inflamatória intestinal, enteropatia perdedora de proteina, gastroenterologia veterináriaResumo
A linfangiectasia intestinal é caracterizada pela dilatação dos vasos linfáticos da mucosa e submucosa intestinal, o que resulta no extravasamento de plasma, proteínas, linfócitos e quilomícrons para o lúmen intestinal. Esse processo compromete a absorção de nutrientes, principalmente gorduras e proteínas, levando a um quadro de má absorção. Clinicamente, os animais acometidos podem apresentar diarreia, vômitos, hipoproteinemia, hipoalbuminemia e, como consequência, efusões cavitárias, especialmente ascite. Este relato descreve o caso de um cão sem raça definida (SRD), macho, não castrado, com aproximadamente cinco anos de idade, atendido no Centro Clínico Veterinário em Passo Fundo – RS, com histórico de vômitos esporádicos, diarreia, emagrecimento progressivo e ascite. O exame físico revelou sinais leves de desidratação, algia à palpação abdominal e presença de efusão abdominal. Exames laboratoriais indicaram leucocitose, hipoproteinemia e hipoalbuminemia. A ultrassonografia abdominal evidenciou espessamento de alças intestinais, pancreatopatia crônica e gastrite, levantando as hipóteses de doença inflamatória intestinal (DII) e linfangiectasia intestinal. Após estabilização clínica com terapia de suporte e dieta gastrointestinal de baixa gordura, o paciente apresentou melhora temporária. Contudo, retornou com agravamento do quadro clínico e ascite. Novos exames laboratoriais reforçaram a suspeita de enteropatia perdedora de proteínas (EPP). Realizou-se endoscopia digestiva alta com coleta de biópsias intestinais, cujo exame histopatológico confirmou o diagnóstico de Enterite linfoplasmocitária multifocal, gastrite linfoplasmocitária multifocal e linfangiectasia leve. O tratamento instituído com prednisolona em dose imunossupressora e manutenção da dieta específica resultou em melhora clínica significativa. O caso ressalta a importância do diagnóstico diferencial entre DII e linfangiectasia intestinal, bem como da biópsia intestinal na confirmação de enteropatias. O manejo nutricional associado à terapia imunossupressora demonstra-se eficaz no controle do quadro clínico.
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